Um final prematuro
Com 11 episódios e um epílogo, chegou ao fim a série baseada nos quadrinhos escritos por Neil Gaiman, “The Sandman”. Considerada anteriormente uma obra difícil de ser adaptada para o cinema/televisão, a Netflix em duas temporadas provou que sim, é possível adaptar a obra prima de Gaiman.
Infelizmente, com as denúncias sofridas por Gaiman, a série foi cancelada pela Netflix. “The Sandman”, a série, adapta os contos dos quadrinhos de forma brilhante, tanto em seu roteiro quanto no visual. O mundo dos sonhos e seus personagens são idênticos em ambas mídias. Porém, com o cancelamento, a segunda temporada mudou o rumo de algumas situações e história. A base dos quadrinhos está presente, mas as histórias dos 11 volumes restantes estão um pouco mescladas e apressadas, para que a série possa abarcar toda a história escrita por Gaiman.
A primeira metade da nova, e última, temporada é uma introdução a sua conclusão. Um pouco mais arrastada, contextualizando a família dos Perpétuos e suas relações. A segunda metade é mais interessante, mesmo que deixe o “sonhar” como plano de fundo e tenha no “mundo real” todos os seus acontecimentos.
As personagens da obra são bem trabalhadas e com boas interpretações. Todo o elenco é destaque na série, mas claro que o centro de todos é Tom Sturridge que dá vida ao Rei do Sonhar. Outro ponto de destaque é a relação de Johanna Constantine (Jenna Coleman) e o Coríntio (Boyd Holbrook) que deixa a segunda metade da temporada mais interessante. E mesmo sendo uma participação mais curta, Gwendoline Christie como Lúcifer é outro destaque, já que um dos melhores episódios da temporada tem relação com suas decisões.
“The Sandman” é uma obra prima dos quadrinhos que foi bem adaptada para a televisão. A série poderia ter pelo menos mais umas três temporadas com toda a obra base, mas os problemas com Neil Gaiman fizeram com que a série terminasse precocemente.
E assim como nos quadrinhos, o epílogo é “separado” do restante da série e merece um destaque especial. Baseado na obra “Morte”, o episódio especial é simplesmente brilhante. A escrita de Gaiman para a personagem sempre foi muito acertada e esse episódio mostra o interessante que é a personagem e que ela poderia ter uma série própria. Kirby Howell-Baptiste dá vida a personagem mais interessante desse universo e aproveita cada minuto do especial para deixar sua marca.
Mesmo que não conheça a obra base, “The Sandman” é uma fantasia que merece a atenção do público. Ao princípio pode parecer uma obra que não se conecta com o espectador, mas assim como nos quadrinhos, aos poucos vai ganhando camadas e se tornando mais “complexa” do que aparenta e seus materiais de divulgação.
Trailer 2ª temporada: https://www.youtube.com/watch?v=ajv3n67pgWk
