Sequencia frenética de clássico dos anos 2000 mistura nostalgia e frescor
O filme Sexta-Feira Muito Louca se tornou um clássico dos anos dois mil não pela sua originalidade, já que o conceito de troca de corpos é algo bem mais antigo. Mas ficou marcado pela competência na forma como abordou o tema. A dinâmica entre a adolescente rebelde de Lindsay Lohan e a mãe clássica de Jamie Lee Curtis nos rendeu boas risadas além de uma lição divertida sobre empatia no pleno sentido da palavra.
A continuação: Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda, promete em seu título um conceito de profundidade na bola levantada pelo seu antecessor. Porém, a premissa de uma quadrupla troca de corpos pode ser forçada. Mas não o foi, por pouco.
Na história, Anna Coleman (Lindsay Lohan) está prestes a se casar com Eric Reyes (Manny Jacinto), porém a filha dela, Harper (Julia Butters) não se dá bem com a filha de Eric, Lily (Sophia Hammons). E após um contato com uma clarividente que não sabe muito bem o que está fazendo, Anna e Harper (mãe e filha) trocam de corpo e Sophia troca de corpo com a mãe de Anna, Tess (Jamie Lee Curtis).
Sim, parece meio confuso. E no filme realmente fica confuso, mas aparentemente até essa confusão se mostra proposital já que os roteiristas apresentam controle do que está acontecendo e o entendimento tardio faz parte da experiência da comicidade.
Então, a história se divide em duas frentes. Duas adolescentes no corpo de mulheres mais velhas e mulheres mais velhas no corpo das adolescentes. E é à partir daí que o filme cresce já que no tempo que leva para nos contextualizar às personagens, as adolescentes parecem demasiado irritantes em suas personalidades estereotipadas. E faz até com que seja fácil torcer o nariz para a atuação delas. Mas quando elas fingem ser mais velhas, a atuação de ambas mostra à que veio.
Mas o destaque tanto em tempo de tela como em qualidade, vai mesmo para Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis que são muito competentes em nos fazer rir e seguram o filme com naturalidade enquanto se divertem nos papeis – o que fica muito claro nos erros de gravação dos créditos. O que é interessante já que as personagens originais que protagonizaram o primeiro filme estão agora dentro do corpo das adolescentes que, por sua vez, tem menos destaque. É como se as protagonistas de fato fossem outras, mas as atrizes não.
Um dos poucos pontos negativos é que o filme é muito acelerado e praticamente hiper estimulativo, o que tem sido tendencia nos filmes para o publico mais jovem muito consumidor de vídeos verticais, mesmo com os que envolvem nostalgia – vide muito precisamente Karate Kid: Lendas. E isso pode atrapalhar a experiencia dos espectadores mais veteranos das obras originais. Mas, apesar de quase escorregar no ritmo, Uma Sexta Feira Mais Louca Ainda não o faz.
E se você e fã da obra original, será agraciado com a cereja do bolo que são o turbilhão de referências – até mesmo a outras obras clássicas da jovem Lindsay Lohan – e a uma nostalgia muito bem encaixada.
Embora o primeiro filme tenha mais simplicidade e calma no seu desenrolar, este aqui mostra uma identidade própria. Até mesmo nos tímidos e desnecessários acenos à cultura woke que a Disney insiste em manter. Porém é uma pontada de desagrado inútil que não chega a atrapalhar a experiência.
Apertado entre os grandes lançamentos deste período do ano nos cinemas, Uma Sexta Feira Mais Louca Ainda é leve, engraçado, divertido e nostálgico. E é muito interessante ver a adolescente do primeiro filme sendo vista como a “mãe velha” aqui.
