Pimenta Nerd

A sua dose certa de Nerdice

Nosso pior vizinho pode ser sempre o próximo. Mudanças nem sempre são boas e, com as malas e caixas, carregamos também as sensações de conhecer novas pessoas que, diferente dos amigos, não podemos escolher. Paredes, às vezes finas e frágeis, nos fazem sentir adentrando a casa ao lado sem sermos convidados. Mas quando praticamos a política da boa vizinhança, a novidade pode ser tão boa quanto a mudança.

Lee Seung- jin é um cantor e está se preparando para participar de um programa de talentos em sua carreira solo e precisa de um local para morar. Vivendo o dilema de muitos jovens, se muda para uma casa que não é habitada há muito tempo por alguém, e está livre de qualquer conforto, mas atende sua situação financeira atual. É a primeira noite na casa e ele escuta barulhos e vozes incessantes, após outros ruídos constrangedores típicos de vizinhos nonsenses que fazem da própria casa um motel. Mas Seung- jin é alheio a crenças e decide libertar o fantasma agourento. A aparição se revela e tem nome, voz e é geniosa: Ra-ni, a vizinha da parede ao lado, que não deseja ter ninguém morando tão próximo e espanta a todos com truques. A jovem é uma ceramista e designer e, para manter o silêncio, afasta qualquer probabilidade de ter um vizinho do outro lado das paredes mal estruturadas da casa. Mas Seung- jin precisa treinar canto com seus instrumentos e não está disposto a ceder, já que também tem direito à moradia. Iniciam, então, uma competição com barulhos ensurdecedores garantindo que o outro desista primeiro. 

Na ânsia de expulsar o inquilino ao lado, Ra-ni é tão persistente quanto ele. E o que poderia ser apenas um capricho, esconde uma situação alarmantemente comum em jovens: crises de pânico diante de situações de alto estresse. A artista não sai de casa há um tempo, se afastou de amigos e familiares e tem seu trabalho no estúdio improvisado como única forma de vida. Ra-ni está tão vulnerável quanto a parede física que separa os dois. Por fora, tem uma pintura nova, por dentro, um alicerce se desmoronando. O músico não entende a provocação e está, compreensivelmente, no modo de defesa. Mas entram em acordo –  a cada quatro horas, um poderá fazer ruídos e o outro não. Em que dimensão isso pode dar certo? Veja o trailer

Seung- jin vive um dilema que podemos facilmente nos identificar. Abandonar algo concreto na carreira para tentar algo novo é estressante e desanimador. Mas ele é  um cara sensível e começa a se aproximar da designer através das paredes dando chance para ela se abrir . Coisas incomuns acontecem: logo estão compartilhando acontecimentos do dia a dia, realizando jantares com amigos e, de forma, talvez imatura na visão de alguns, iniciando um namoro; cada qual em sua casa, sem nunca terem se visto. Esse fato revela uma interessante faceta no relacionamento entre pessoas. Em vez de seguirem um manual conhecido – se conhecer, namorar, casar e ter filhos – escolhem seguirem suas emoções e fazerem o que sentem vontade. E é algo que muitos de nós faríamos se não estivéssemos presos ao roteiro pronto dos relacionamentos românticos que crescemos vendo e seguindo.  O cantor se torna um ponto confiável na vida dela. Passo importante para alguém entrar pela porta da frente na nossa casa.

A comédia romântica é leve. O espectador pode ser ver enfrentando os mesmos dilemas. Os amigos do casal não concordam com as decisões deles, mas respeitam suas fases. Não gostaríamos todos de ter companhias assim? Porém tive dificuldades em sentir dos atores os abalos mostrados na história. E gostaria de ter acompanhado com mais profundidade os diálogos do casal. Lembra – se do que conversava quando já se sentia confortável com alguém? Ra – ni e Seung – ji poderiam ter trazido isso. Trazido pela Sato Company,  “Meu pior vizinho” já está nos cinemas. Procure o endereço mais próximo na sua cidade!

créditos material : Sinny Comunicação

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