Com a estreia de seu longa programada para 30 de agosto, no Festival de Cinema de Veneza, Guillermo del Toro concedeu entrevista à Variety para falar sobre a produção do filme.
Faltando poucos dias para o evento, a maior aposta da Netflix para a temporada de premiações começa a ganhar destaque. Em uma época em que a maioria dos filmes do gênero é produzida com orçamentos mais modestos, o estúdio aposta alto que Frankenstein, de del Toro, será um sucesso tanto entre os assinantes quanto entre os votantes do Oscar.
O longa apresenta um elenco de peso: Oscar Isaac interpreta Victor Frankenstein; Jacob Elordi dá vida à Criatura; Charles Dance assume o papel de Leopold Frankenstein; Mia Goth interpreta Elizabeth Lavenza. Além deles, o filme ainda conta com Christoph Waltz, Burn Gorman, Ralph Ineson e outros nomes. Em entrevista à Variety, del Toro comentou sobre a escolha dos dois protagonistas.
Sobre Oscar Isaac:
Eu queria que o filme não parecesse algo do passado, mas sim muito moderno, vibrante e cheio de questões atuais. Visualmente, eu queria uma era vitoriana cheia de cor, lama, vapor, sujeira e ciência de ponta. Eu não queria um cientista louco. Eu queria fazer esse tipo de gênio astro do rock, e Oscar tem toda a arrogância e o poder de sedução moreno que Victor, na minha opinião, tinha. Ele é como um astro do rock byroniano. E fizemos isso com o guarda-roupa também; modelamos seu guarda-roupa com base em Londres dos anos 60 e 70. São muitos chapéus de abas largas, calças boca de sino, saltos nos sapatos. Se você o visse andando no Soho com Mick Jagger e Twiggy, diria: “Lá vai outro astro do rock”. Oscar também tem uma humanidade profunda. Ele pode ser sedutor e tem um jeito felino de se movimentar que faz você entender como ele conseguia atrair financiadores para seus experimentos.
Sobre Jacob Elordi, escolhido após a saída de Andrew Garfield:
Vi “Saltburn” e adorei sua inocência e franqueza. Ele interpreta a vítima de um personagem estilo Tom Ripley, e achei que ele interpretou com muita amplitude. Seu personagem também era capaz de ser nobre e cruel. Os olhos de Jacob são tão cheios de humanidade. Eu o escolhi por causa dos olhos dele.

A entrevista completa está repleta de curiosidades e informações sobre a pré-produção. Como del Toro já afirmou anteriormente, Frankenstein é a obra de sua vida. Envolvido até a alma com a criatura, o diretor promete apresentar a clássica história sob uma ótica inédita nesta nova adaptação.
Quando questionado sobre o motivo de se sentir tão conectado ao conto, respondeu:
Quando vi o James Whale “Frankenstein” quando criança, esvaziei completamente minha alma naquela criatura. Pensei: “Sou eu”. Foi um momento religioso e espiritual para mim. Quando criança, eu era muito católico e pensava estar vendo um santo ou uma figura mítica que me representava. Mesmo naquela tenra idade, eu sentia: “Meu Deus, é tão reconfortante para mim ver a criatura e sua inocência”. Ele era um estranho. Ele não se encaixava no mundo. Ele estava deslocado da mesma forma que eu me sentia quando criança.
Com um investimento de US$ 120 milhões, a Netflix aposta alto na obra, que terá estreia exclusiva nos cinemas em 17 de outubro, por três semanas, antes de chegar ao streaming em 7 de novembro.
