Cynthia Erivo e Angelina Jolie se entrevistam simultaneamente em quadro da Variety, e o resultado é um mergulho no processo das duas artistas em papéis musicais e, além disso, uma mensagem a novos artistas
A entrevista de Angelina Jolie e Cynthia Erivo é extremamente tocante e aborda a experiência das duas atrizes, que estão promovendo seus mais recentes trabalhos, em obras musicais. Angelina estrela “Maria“, a produção da Netflix sobre a vida de Maria Callas, uma impressionante cantora de ópera.
Já Cynthia estrela, ao lado de Ariana Grande, Wicked, a adaptação cinematográfica de um musical clássico da Broadway. As atrizes compartilham as emoções e impressões de se arriscar no campo uma da outra: Cynthia cantando no cinema, e Angelina cantando.
“Eu não sabia o quanto eu havia perdido minha voz”, disse Angelina. “Foi muito difícil e emocionante soltar minha voz. Talvez quando perdi minha mãe, talvez quando uma pessoa me machucou. Foram várias coisas que foram deixando ela cada cada vez menor e presa. Então, encontrá-la e deixá-la sair foi muito emocionante, e uma sensação que eu queria que todos pudessem sentir. Eu queria que todos pudessem saber o que é cantar o mais alto possível, e descobrir o que pode sair do seu corpo. Não é só o que você pode fazer para uma audiência ou como contar uma história, é o fato de você conseguir produzir aquele som.
“Para você, com certeza foi emocionante porque você sabe que sua voz é boa. Mas para mim, foi mais aterrorizante do que emocionante. Eu senti muitas emoções fazendo este filme porque uma pessoa na minha vida me disse que eu não sabia cantar. Não é nem que eles falaram, tipo “você não sabe cantar”. É que eu estava cantando uma coisinha, algo pequeno, e eles deram uma risadinha. E isso me acuou um pouco. Eu acho que nunca teria tentando cantar se não fosse por este papel. Eu teria simplesmente passado minha vida sem encontrar minha voz. Então, eu fui de aterrorizada para extremamente grata.”
“Eu não posso deixar de comentar sobre a alegria que esse filme (Wicked) trouxe. Eu lembro de levar meus filhos, mas uma das minhas filhas em específico.. Eu lembro do momento em que ela ouviu “Defying Gravity“. Como mãe, nós queremos que a arte tenha influência. Eu consegui sentir que ela precisava disso. Ela está sentindo esse desejo de saber que existem infinitas possibilidades e que existe algo nela que ela ainda não descobriu. É assim que eu me sentia naquele momento.”
Cynthia completou “Para esta música, eu precisava sentir cada palavra. Eu precisei me concentrar em toda minha jornada até ali, não só neste projeto mas a minha trajetória toda. Entrar na escola de teatro aos 20, persistir, finalizar aos 23. Não conseguir trabalhos, não ser vista, e não me sentir muito aceita, me sentir bem diferente, bem estranha. E ter que descobrir meu próprio caminho nisso tudo. Porque esta indústria é difícil, e essa indústria é muito difícil quando você é uma garota negra cantando.”
“Eu também sabia que muita gente queria se sentir vista, queriam saber que é possível exceder as expectativas que as pessoas tem de você e exceder as suas próprias expectativas. Até mesmo naquele momento, eu queria exceder as minhas próprias expectativas do que seria capaz de fazer. “
“Tinha muitas Cynthias ali naquele momento. Tinha a Cynthia criança, que não sabia que podia fazer aquilo. Tinha a Cynthia adulta, que queria deixar todo mundo orgulhoso, e deixar ela mesma orgulhosa.”
