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Uma estreia na direção para ficar de olho

Chega aos cinemas brasileiros o primeiro longa metragem dirigido por Eva Victor, “Sorry, Baby”. Além de dirigir, Eva também é a protagonista e assina o roteiro.

Agnes (Eva Victor) é uma professora de literatura em Fairpoint, uma faculdade de artes no Estado de Nova Inglaterra. Ela vive só e isolada numa casa no campo junto com seu gato. Um dia, sua amiga Lydie resolve visitá-la vindo de Nova York e compartilha a notícia de que está grávida. Esse reencontro traz de volta memórias e momentos do passado.

Cada gesto e fala de Agnes tem um grande significado depois que descobrimos que ela passou por um episódio traumático ao final de sua tese. Esse episódio é a espinha dorsal de todo o filme, pois acompanhamos a “entediante” vida da personagem.

A atuação de Eva Victor é o ponto alto do longa. Sem parecer que está atuando, ela transmite todas as inseguridades, medos e dores da personagem. Pequenos diálogos ou feições dizem uma enormidade de coisas. É uma personagem que omite seu trauma e isso faz com que ela não se permita ser livre, prendendo a si mesma em esse evento.

Sua amiga, Lydie (Naomi Ackie), tem um papel fundamental na vida de Agnes. Por ser uma das poucas pessoas que sabe o que aconteceu, é a partir dela e da vida que ela constrói, que Agnes começa a deixar de sofrer e exilar-se. Aos poucos ela vai buscando esse duro caminho entre deixar o trauma de lado e conviver com ele. Entregando-se para um possível futuro, que vai deixar esse episódio traumático marcado para sempre, mas que já passou.

“Sorry, Baby” é um lindo filme, sobre redescobrisse e conectar-se. Eva Victor demonstra um bom futuro como autora, sendo indicada a melhor roteiro no Critics Choice Awards e melhor atriz no Globo de Ouro. A narrativa para muitos pode parecer lenta, mas cada diálogo ou expressões tem muitos significados.

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