Pimenta Nerd

A sua dose certa de Nerdice

A série que mal nasceu, e já foi cancelada (apenas um mês e meio após a estreia).

Um cancelamento de série não me deixava tão triste desde Spin Out e I Am Not Okay With This. Especialmente porque a série Étoile já entrou no jogo com duas temporadas encomendadas de antemão. A expectativa é que o Prime Video produza a segunda temporada para cumprir o contrato, mas quando?

Apesar de alguns defeitos no piloto da série e algumas pontas soltas (que espero serem resolvidas na possível segunda temporada), a produção se mostrou consistente e interessante até o último episódio. É sempre uma pena quando uma premissa com tantas possibilidades nos conquista e é cancelada antes que possamos ver tudo o que elas tinham potencial para entregar.

Com a mudança na administração do Prime Video, é possível que a segunda temporada nunca veja a luz do dia. Ainda assim, a série merece os hofolotes. Por isso, iremos analisar hoje a produção como um todo, e torcer para que a temporada final aconteça. Mas antes, leia a crítica do episódio piloto.

Por quê você deveria assistir a Étoile?

Os personagens tem muito êxito em te conquistar. É difícil equilibrar tantos em cena ao mesmo tempo, especialmente se tratando de duas companhias – uma em cada continente. E vemos sinais disso, já que a companhia de Nova York recebe muito mais destaque ao longo de toda a temporada, enquanto a de Paris só tem seu devido momento nos últimos episódios. Ainda assim, é uma produção em que você simpatiza com a maioria.

Os personagens são quase todos socialmente esquisitos, do seu próprio jeito, e por mais irritante que possam ser em determinados momentos, todos têm seu charme. Até o Jack, que tem alguns traços de Michael Scott.

O desenvolvimento de Cheyenne também merece ser citado, já que é o tipo de personagem em que é extremamente fácil perder a mão. Nos primeiros episódios, você já perde um pouco da simpatia por ela porque ela se mostra indiferente a certas coisas que são mais do que “burocracia do ballet” e sim realmente impactantes na vida de outros bailarinos (tipo quando ela atrasa para o evento da chegada dela a Nova York e faz bailarinas mirins chorarem porque não queria ir de carro, mas também não avisou que chegaria tarde).

Por outro lado, em muitos momentos ela surpreende, como na entrevista ao vivo e a reação dela a ter que dançar no Quebra-Nozes. As falhas dela não são nem muito desmedidas, nem remediadas do dia para a noite. E um dos pontos altos para a personagem ser tão interessante é a relação dela com a Susu.

Por falar em humor, a produção encontra a medida ao longo dos episódios, embora ainda tenha algumas piadas sem graça aqui e ali. Os melhores momento de humor são, com certeza, quando a produção não se leva tão a sério e aposta na sutileza.

Algumas pontas soltas

Uma das pontas soltas impossíveis de não notar é o desenvolvimento abrupto da personagem Eva. No início da série, somos introduzidos ao seu medo de palco, que surgiu no meio de sua apresentação de Cisne Negro e agora a atrapalha muito até as interações sociais. Temos cenas recorrentes da personagem para cima e para baixo com seu conselheiro/monitor, que auxilia no tratamento, mas daí para frente essa narrativa se torna só um elemento de humor e seu desenvolvimento é completamente esquecido. Ao final da temporada, ela se apresenta normalmente e nunca vemos um desfecho ou progressão.

Outra ponta solta que te deixa descrente ao assistir os últimos créditos da temporada rolarem na tela é a falta de desfecho para a situação familiar da Michi. Não tinha necessidade de deixar essa situação pendente para a próxima temporada, já que as consequências dos acontecimentos viriam imediatamente.

Particularmente, o trope “em meio artístico todos se envolvem sexualmente” é incômodo, já que há algumas menções e piadas sobre isso, e alguns dos relacionamentos que se desenvolvem na série acabam caindo nessa narrativa. Mas ao menos eles não sexualizam os dançarinos ou a dança, em si. Os personagens citam os envolvimentos, mas nunca vemos cenas explícitas, em que a dança seja associada como um elemento.

A dança

As coreografias são deslumbrantes e minhas duas únicas ressalvas são: para uma série sobre dança, não vimos tanta dança assim. No Quebra-Nozes, por exemplo, vemos os preparativos; as decorações chegando e os conflitos que se desenvolvem por causa deste espetáculo, mas a tensão seria ainda maior se víssemos um pouco mais. Já que o que acontece neste espetáculo é extremamente importante para a narrativa.

A segunda ressalva é que algumas vezes o jogo de câmera nas cenas de dança também desnorteavam um pouco. É interessante deixar a cena mais dinâmica, mas tantos cortes não eram necessários, principalmente porque atrapalhavam a visualização da coreografia.

A série valeu muito à pena e é triste que tenha sido cancelada, porque tinha muito potencial para ao menos 3 temporadas.

Mas queremos saber: o que você achou? Qual personagem você mais gostou?

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