Agora a porrada é musical
Neste mês de março, Rocky – O Musical chegou ao 033Rooftop, trazendo para os palcos a história do icônico filme de 1976. Mas será que transformar socos em canções funciona? Vamos descobrir.
Primeiro Ato
Preciso admitir que não conhecia a versão original da peça. Assistir a essa adaptação em um teatro diferente do tradicional foi, no mínimo, uma experiência curiosa.
A escolha do 033Rooftop como local da apresentação foi genial. O espaço realmente faz o público se sentir dentro de um ringue, o que combina perfeitamente com a temática do espetáculo. No entanto, a movimentação do elenco às vezes parece confusa e um tanto limitada pelo palco. A ideia funciona, mas sua execução poderia ser mais fluida.
Daniel Haidar entrega uma performance sólida como Rocky. Ele reproduz os trejeitos clássicos que Stallone estabeleceu no filme, mas sem cair na mera imitação. Haidar traz um toque próprio ao personagem, mostrando que mergulhou profundamente no papel.
Já Lola Fallanuchi, que interpreta Adrian, é a que menos se destaca no elenco. Ainda assim, sua química com Daniel Haidar funciona, especialmente no dueto romântico entre os dois. Eles realmente capturam a essência do casal icônico.
O primeiro ato, porém, demora para engrenar. O foco em detalhes desnecessários torna a experiência um pouco cansativa. Só perto do final desse ato é que a peça finalmente começa a ganhar ritmo e energia.
Segundo Ato
No segundo ato, finalmente entramos na parte mais conhecida da história. Aqui, destaco Hector Marks no papel de Apollo Creed. Apesar de ser seu primeiro grande papel, ele consegue transmitir muito bem a arrogância e a postura confiante do personagem.
No entanto, quando chegamos às cenas de luta, a peça desanda. Em nenhum momento senti que estava vendo dois lutadores de verdade. As coreografias pareciam artificiais, como se os atores apenas fingissem lutar sem transmitir impacto ou tensão. Isso fez as cenas de combate soarem toscas e desajeitadas, mais dignas de uma produção amadora do que de um grande musical.
As músicas, embora bem executadas, não se encaixam tão naturalmente na narrativa. Algumas escolhas de onde inserir as canções soam estranhas e pouco orgânicas, quebrando o ritmo da história.
O clímax, com a luta final, deveria ser o ponto alto do espetáculo, mas infelizmente decepciona. A falta de emoção e de uma coreografia convincente prejudica o impacto da cena. Além disso, a disposição do elenco no palco parece desorganizada, tornando o conjunto ainda mais estranho.
Conclusão
No fim, Rocky – O Musical é uma experiência interessante, mas com muitos altos e baixos. A ambientação no 033Rooftop foi uma sacada inteligente, e o elenco, apesar de alguns deslizes, se esforça para dar vida à história. No entanto, a falta de emoção nas lutas e a forma como as músicas são inseridas impedem que a peça tenha o impacto esperado.
Vale como uma curiosidade para os fãs do personagem, mas não chega a ser um nocaute no mundo dos musicais.
