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As adaptações das obras de Stephen King sempre chamam atenção. A que vou comentar agora tem a direção de Oz Perkins, do frustrante Longlegs. O Macaco, assim como o longa anterior do diretor, tem um marketing melhor que o próprio filme.

Na trama, quando os gêmeos Bill e Hal encontram no sótão um velho macaco de brinquedo de seu pai, começa uma série de mortes terríveis. Os irmãos decidem jogar o brinquedo fora e seguir em frente com suas vidas, distanciando-se com o passar dos anos.

Já faz tempo que campanhas de marketing têm levado filmes com qualidade questionável ao sucesso, como é o caso de Esquadrão Suicida (2016), Bohemian Rhapsody (filme sobre o Queen) e Longlegs. Este filme, mais precisamente, iniciou uma onda viral na internet, sendo considerado pela sua campanha como “O filme mais assustador da década”. O Macaco bebe muito dessa fonte, mas o foco aqui é mostrar que, embora o filme seja brutal, com cenas de mortes muito boas e criativas, a trama não se sustenta tão bem.

O longa é dirigido e roteirizado por Oz Perkins, baseado no conto homônimo de Stephen King. O Macaco tenta fazer algo complicado no gênero de terror: combinar comédia e horror. Aqui, Perkins falha com o tom cômico, que prejudica muito os elementos de horror do filme, quase como se fosse um filme da Marvel, a momentos onde morte seguida de uma piadinha sem graça. Dei algumas risadas durante a projeção, mas, mesmo assim, fiquei com a sensação de que algo estava errado.

A trama tem falhas que fazem o resultado final do longa ficar muito aquém do esperado, com muitas ideias que não conseguem se integrar de maneira eficaz. No primeiro ato, somos apresentados a versões mais jovens dos irmãos gêmeos protagonistas, Bill e Petey, com uma boa dinâmica entre eles, que é bem nítida, apesar de ser um clichê (um mais popular, o outro tímido). Somos bem introduzidos a esse universo. Mas, quando a história se passa no tempo presente, Perkins não consegue recriar os mesmos elementos da primeira parte, resultando em uma bagunça na relação familiar.

O Macaco/Foto: Divulgação

Existem cenas ridículas, que mais parecem esquetes de um programa humorístico de tom duvidoso. Uma cena em particular, no final, onde os irmãos, interpretados por Theo James (The White Lotus), fazem as pazes e dão as mãos para selar esse momento, mas um dos personagens tenta a todo momento se fazer de engraçadinho, tirando as mãos repetidamente, três vezes seguidas. O peso dramático se perde completamente aqui. A relação de Hall, o irmão “gêmeo do bem”, com seu filho introduzido na trama também é fraca, e o garoto só tem importância no final, sendo descartado logo depois.

Theo James é competente em sua atuação dupla; não há nada de mais, já que os dois personagens são escritos de maneira genérica. O foco está em Hall, e ele sabe reagir bem às cenas de morte. Todo o elenco está bem, com destaque para Tatiana Maslany, que, mesmo com pouco tempo de tela, brilha.

Mas os melhores momentos do filme estão nas cenas de morte, especialmente quando o macaco está presente. O brinquedo tem um visual macabro e, sempre que entra em cena e começa a bater seu tambor, fica claro que algo bizarro vai acontecer. Em um momento, onde um personagem morre com vespas entrando em sua boca, e em outra cena interessante, mostrada no trailer, a corretora de imóveis simples explode com um tiro disparado de uma arma guardada no armário. Esse tom irreal nas mortes é bem utilizado pela direção.

Oz Perkins faz um filme com altos e baixos. É nítido tanto quando ele tenta se reinventar no gênero quanto ao mesclar estilos diferentes. Mas o problema é que, como em seus filme anterior, O Macaco muitas vezes frustra o espectador, mostrando o quanto o diretor pode ser limitado como criador.

O Macaco estreia nos cinemas nacionais em 6 de março.

NOTA: 4/10

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