Após uma enorme polêmica, a nova adaptação de “Morro dos Ventos Uivantes” finalmente chega aos cinemas. Emerald Fennell entrega uma das obras de maior potencial desperdiçado do ano.
Na trama, uma história de amor apaixonada e tumultuada que tem como pano de fundo os pântanos de Yorkshire, explorando o relacionamento intenso e destrutivo entre Heathcliff e Catherine Earnshaw.
Baseado na mundialmente famosa obra da britânica Emily Brontë, já teve oito adaptações do livro em cinema e TV. Essa é a primeira adaptação com grande orçamento. É visto em todo seu design de produção, a recriação da “época” bem realizada com um universo rico, vestidos de cair o queixo, mansões chamativas, mas essa grandeza não depositada em seu roteiro carece de ritmo.
Emerald Fennell vem do polêmico Saltburn (2023), onde já instaurou discussões sobre o jeito com que a diretora trabalha bem. “Morro dos Ventos Uivantes” entra no mesmo clima, choque pelo choque não sustenta filme de 2h de duração. Entre as cenas em que a sugestão é imposta, é muito mais agradável de ver.

O longa começa com uma cena de enforcamento sexualizada, mostra como Fennell enxerga esse mundo exagerado com cenas envolvendo a prática BDSM e fantasias sexuais pitorescas, mas isso de fato não entrega nada à narrativa.
O casal Caty (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi) entrega o melhor, os dois têm boa química em tela. Mas os personagens são extremamente frios. Essa humanidade “cinzenta” presente seria bem realizada com alguém auxiliando a roteirista a encontrar o tom, mesmo que não seja agradável, para dar mais tridimensionalidade a todos os personagens, que ficam em arquétipo.
A grandiosidade nessa história de obsessão e perda por falta de atenção maior aos detalhes, o principal, a história é arrastada ao ponto de se passar 20 min entre acontecimentos, mas parece que passou uma eternidade, a montagem contribui ao deixar a produção arrastada.
A trilha sonora composta por Charli XCX e outro destaque com canções poderosas, como “Chains of Love”, traz a tortura romântica que o filme propõe.
“Morro dos Ventos Uivantes” mostra mesmo uma obra atemporal muito querida que sim pode ter variadas visões sobre esse universo, mas decepcionante e arrastado, tornando uma produção sem muito apelo.
