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Hamnet, novo filme da vencedora do Oscar, Chloé Zhao, chega aos cinemas nesta semana. Adaptação do livro homônimo de Maggie O’Farrell, a produção entrega uma trágica história de dor e luto representada brilhantemente por Jessie Buckley, que interpreta sua personagem cheia de camadas.

Na trama, a história de Agnes, a esposa de William Shakespeare, enquanto ela luta para lidar com a perda de seu único filho, Hamnet. Uma história humana e comovente que serve de pano de fundo para a criação da peça mais famosa de Shakespeare.

Chloé Zhao retorna ao cinema após a sua malfadada ida à Marvel Studios, com uma obra intimista. Durante sua rodagem, somos apresentados ao estilo característico da diretora: planos longos, luz natural e sentimentalismo forte que combinam muito bem com essa história de amor entre Agnes (Jessie Buckley) e Will (Paul Mescal), do luto e da criação de um dos maiores marcos do teatro mundial, Hamlet.

Jessie Buckley entrega uma atuação brilhante. Sua Agnes é forte e, em momentos sombrios, demonstra-se imponente, nos levando por seu olhar.  A cena em que ela mostra dor com uma angústia em que ela perde seu filho gêmeo Hamnet em grito alto, Buckley traz algo muito verdadeiro, tornando-se uma das melhores atuações da temporada.

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet / Foto: Universal Pictures

Paul Mescal faz Will ser misterioso; mesmo com pouca presença, ele mostra um lado não tão emocional. Comparado ao restante do elenco, o ator não chama tanta atenção com seu par. Mas algo que destoa um pouco do filme é a caracterização, em que adereços usados chamam atenção, como umbrinco de argola. Em cenas em que ele está, esse objeto tira a atenção, em momentos em que se questiona se esse personagem realmente está na época proposta pela produção.

O roteiro escrito por Zhao e O’Farrell traz diálogos bem escritos,quando eles são proferidos, há impactos fortes nas ações daquela família. O texto equilibra bem o real e o sobrenatural, especialmente na sugestão simbólica de que Hamnet troca de lugar com a irmã entre a vida e a morte.

O final deste longa tem momentos mais poderosos da encenação da peça e Agnes perplexa sobre o que está acontecendo até ela entender que esse acontecimentofaz parte da maneira como seu marido superou o luto, em que as mãos da plateia se juntam a ela para alcançar o ator que está interpretando Hamlet e é muito emocionante.

Com design de produção impecável, tirando detalhes dos brincos, toda representação de época é muito bem realizada; os figurinos e cenários são incríveis. Chloé Zhao entrega um filme para ser visto no cinema, que mostra a graciosidade em situações íntimas.

NOTA: 7/10

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