Usar métodos clichês automaticamente torna um filme ruim? O Primata prova que não.
O filme acompanha Lucy (Johnny Sequoyah) e seus amigos durante um fim de semana de férias no Havaí. Eles retornam para a casa onde a protagonista vive com sua família e com Ben, um chimpanzé criado como animal doméstico. A trama ganha força a partir do momento em que Ben contrai raiva. A partir disso, o descanso se transforma em um cenário de pura sobrevivência.
Mesmo apresentando uma premissa simples, o longa se apoia em clichês clássicos do terror, especialmente do subgênero slasher. Ainda assim, a execução funciona. Os jump scares conseguem surpreender mesmo quando previsíveis. Além disso, o desenvolvimento das mortes mantém o impacto ao longo do filme, principalmente pelo uso constante de violência gráfica.
Outro ponto positivo está nas atuações. Os personagens fogem da burrice forçada comum ao gênero, o que ajuda na imersão do espectador. Da mesma forma, a construção do chimpanzé Ben se destaca. O personagem ganha vida através do uso de efeitos práticos e animatrônicos, aliados à performance física de Miguel Torres Umba. Como resultado, a ameaça se torna mais crível e presente em cena.
Além disso, até personagens mais neutros ajudam a equilibrar a experiência. Em vários momentos, o espectador se vê dividido entre gostar e desgostar deles na mesma medida. Por isso, o envolvimento com a trama acontece de forma natural. As interações com Ben transmitem confiança e reforçam a sensação de perigo constante.
Por fim, O Primata não busca reinventar o gênero. Ainda assim, alcança com eficiência o que todo filme de terror almeja: colocar o espectador no lugar da vítima.
O Primata já está disponível nos cinemas nacionais.
