Saudades do meu ex (Netflix)
Na última semana, chegou ao fim Demolidor: Renascido, série que prometia ser o renascimento do herói… mas que entregou, na prática, um velório morno.

Sinopse:
Matt Murdock (Charlie Cox), o advogado cego com sentidos sobre-humanos, divide seus dias entre defender a justiça no escritório Nelson & Murdock e proteger a Cozinha do Inferno como o vigilante Demolidor. Enquanto isso, Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio), antigo chefe do crime, ressurge como uma figura influente no cenário político. Quando segredos do passado dos dois vêm à tona, suas jornadas colidem em um embate que testa seus limites físicos e emocionais.

Mas… Renascido pra quê?
O maior problema da temporada está na estrutura: são nove episódios, mas metade parece um enorme filler. A trama anda em círculos, personagens entram e somem, e os conflitos que deveriam impulsionar a história são deixados de lado por enrolações desnecessárias.
O episódio 9, o season finale, é o maior exemplo disso: não fecha arcos, não tem peso emocional e parece mais um episódio qualquer do meio da temporada. Para manter o público interessado, a série precisa forçar participações especiais em vez de confiar em sua própria narrativa.

Os pontos fortes? Estão nos fantasmas do passado
Charlie Cox segue brilhando como Matt Murdock. Logo no primeiro episódio, sentimos o peso do tempo e a dor que o personagem carrega. Ver o trio original reunido traz uma onda de nostalgia que, infelizmente, não dura o suficiente.
Vincent D’Onofrio faz o que pode com o pouco material que tem. Seu Rei do Crime está completamente subaproveitado, fazendo praticamente nada até o último episódio — onde, enfim, brilha numa cena impactante.
O Mercenário até tem seus bons momentos (principalmente no início e no final), mas merecia mais. Já o Muso… é melhor fingir que não aconteceu. Virou vilão da semana, sem ameaça, sem força, sem propósito.
E quanto aos novos coadjuvantes? Estão lá. Só isso. Nenhum tem carisma ou impacto comparável aos personagens da era Netflix.

O brilho vem mesmo de quem já conhecemos
Deborah Ann Woll (Karen Page) e Jon Bernthal (Frank Castle) entregam os melhores diálogos e cenas mais intensas da temporada. Toda vez que estão em tela, a série ganha vida. É quase um lembrete de como Demolidor já foi uma obra-prima.
No fim das contas…
Demolidor: Renascido tinha tudo para devolver à Marvel o seu lado mais sombrio e maduro, mas tropeça ao tentar agradar todo mundo. A série tem bons momentos e alguns episódios competentes, mas nunca atinge o potencial que prometeu.
Nota: 6,5/10
