Após aclamação no Festival de Veneza deste ano com 6 minutos de aplausos, em sua primeira exibição por lá, o novo longa do grego Yorgos Lanthimos (Pobres Criaturas e A Favorita) estará presente na programação da 49ª Mostra de São Paulo. A sátira estrelada por Emma Stone, que é destaque no filme, consegue muito bem mesclar gêneros em uma obra atual.
Na trama, dois homens obcecados por conspirações sequestram a CEO de uma grande empresa quando se convencem de que ela é uma alienígena que quer destruir a Terra.
Em um mundo em que a ficção beira, a realidade, Bugonia consegue bem cutucar a loucura atual com atmosfera angustiante e cômica. Remake do longa sul-coreano “Save the Green Planet!” (2003) Lanthimos faz um copia e cola da obra base, até mesmo utilizando diálogos quase idênticos aos de 2003, mas dá para ver o estilo do diretor na produção.
Jesse Plemons (Breaking Bad) faz uma atuação forte, cheia de momentos, mesmo os absurdos que ele fala sobre conspirações alienígenas, conversam em sua interpretação de Teddy. Há um momento em que, na discussão em uma mesa de jantar, a troca de diálogos vai se acalorando e ele tem um surto, um momento impressionante, carregando uma energia caótica. Seu primo Don (Aidan Delbis) é um contraponto a ele, faz também bom trabalho. É interessante ver isso na tela, a dinâmica entre eles é bem fluida. Ele ser ingênuo na maioria das cenas traz quase sensação de pena por ele estar nessa situação.

Bugonia / Foto: Universal Pictures
Mais o grande destaque, Emma Stone, que vem de sua vitória no Oscar por “Pobres Criaturas”. A parceria dela com Yorgos Lanthimos traz personagem riquíssima à sua filmografia, e Michelle, a CEO sequestrada, tem uma noção que traz uma dubiedade em saber se realmente ela é uma rainha alienígena ou pessoa comum que caiu em uma roubada. Um dos pontos mais chamativos de ela ter rapado o cabelo em cena é que dá para ver a partir dali a grande entregada dela. As discussões vindas dela sobre humanidade trazem boa reflexão sobre o momento que o mundo está. Tem comédia, suspense e reflexões, faz ser das atuações de destaque desta temporada.
Lanthimos já utiliza sua fórmula da direção; a estranheza faz parte do filme em grandes momentos. Ele faz jumpscare sonoro, a câmera tem enquadramentos, como closes na cara da CEO, que também dão um tipo de afiliação por momentos de violência. Não é a melhor produção dele, isso talvez seja prejudicado dele ficar refém de auto-referência à obra original em alguns momentos.
É sempre bom ver o novo dele como diretor, mas poderia ser mais ousado durante a exibição. Fique com esse questionamento: mesmo com pequenas mudanças da obra base, essa não transmitiu o mesmo sentimento que obras anteriores. Mas é uma grande experiência em si o absurdo e tem principal destaque e humanidade e seu próprio ser próprio inimigo.
Longa estreia nos cinemas nacionais em 27 de novembro. Além de ter 3 sessões durante 49ª Mostra de São Paulo.
