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Crítica: Alice de Cor e Salteado

Uma experiência imersiva e emocional no Teatro Estúdio

Na última semana, estreou no Teatro Estúdio a produção Alice de Cor e Salteado, protagonizada por Diego Montez e Gabi Camissotti. A peça é uma adaptação do musical off-Broadway Alice By Heart, de Steven Sater e Duncan Sheik — os mesmos criadores de O Despertar da Primavera. Mas será que essa nova montagem consegue fazer jus ao material original? A resposta, em grande parte, é sim.

Sinopse

O musical se passa em 1941, durante a Blitz em Londres, quando a adolescente Alice Spencer e seu melhor amigo Alfred são forçados a se abrigar nos escombros de uma estação de metrô. Ali, cercados pela guerra, eles escapam da realidade mergulhando no mundo fantástico de Alice no País das Maravilhas.

Imersão desde a entrada

Um dos grandes acertos da montagem brasileira é o uso do teatro em arena. Esse formato transforma cada assento em um ponto de vista único, tornando a experiência altamente imersiva. Desde o momento em que o público entra no espaço, os atores já estão em cena — um recurso que aumenta a sensação de que estamos participando daquela jornada. É, sem dúvida, uma das experiências teatrais mais envolventes do ano.

Elenco em sintonia

O elenco de apoio conta com nomes como Jessé Scarpellini, Yasmin Gomlevsky, Thales César, Bruna Pazinato, Bruno Sigrist e Valéria Barcellos — todos em perfeita sincronia, cada um interpretando múltiplos personagens com características marcantes. Yasmin, em especial, protagoniza uma das cenas mais emocionantes da peça.

No centro da narrativa estão Gabi Camissotti e Diego Montez. Gabi está absolutamente entregue ao papel de Alice, navegando com sensibilidade por emoções como o luto, a esperança e a coragem. Já Diego, mesmo com menos tempo em cena, deixa uma forte impressão, talvez em uma de suas melhores atuações no teatro.

Problemas de roteiro

Apesar das qualidades, a peça tem algumas falhas. O roteiro deixa certos temas, como o amadurecimento, em segundo plano, e há momentos em que a contextualização da idade dos personagens gera confusão. Algumas falas sugerem uma faixa etária, apenas para serem contraditas em cenas seguintes. Pequenos ajustes no texto poderiam tornar a narrativa ainda mais coesa.

Outro ponto é a duração. Com apenas uma hora e meia, o espetáculo termina deixando uma sensação de que poderia (e deveria) ter ido mais longe — não por ser incompleto, mas por ser tão bom que dá vontade de permanecer naquele universo por mais tempo.

Conclusão

Alice de Cor e Salteado prova que não é preciso grandes efeitos ou cenários tecnológicos para emocionar e tocar o público. Com figurinos simples, mas pensados com carinho, um cenário funcional e um elenco verdadeiramente comprometido, a peça entrega uma experiência teatral intensa, sensível e memorável.

É, sem dúvida, uma das melhores produções do ano e uma prova de que o teatro ainda é um espaço poderoso para contar histórias profundas — basta ter coração, talento e propósito. Vale (e muito) a pena conferir.

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