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Crítica: A Miss (2026)

A Miss e Uma Jornada de Descoberta

A Miss chega aos cinemas como um filme que vai muito além de um simples concurso de beleza. Desde os primeiros minutos, fica claro que a proposta não é apenas falar sobre passarela, coroas e glamour, mas sobre identidade, aceitação e pertencimento. Ao abordar temas sensíveis dentro de um ambiente tradicionalmente conservador, A Miss se posiciona como uma obra relevante e necessária.

Com direção e roteiro de Daniel Porto, o longa aposta em uma narrativa emocionalmente honesta, focada nas expectativas familiares e na busca por reconhecimento. O resultado é um drama que dialoga diretamente com o público contemporâneo.

Sinopse

Em contraste com as expectativas da família, quem revela verdadeiro talento e desejo de disputar a coroa é Alan (Pedro David), o filho mais novo de Iêda. Com a ajuda do irreverente tio Athena (Alexandre Lino), os irmãos elaboram um plano ousado para que Alan realize o sonho da mãe sem que ela perceba a verdade. A partir daí, a história se desenvolve como uma narrativa sensível e provocadora sobre identidade, expectativas familiares e aceitação.

O Mundo dos Concursos Sob um Novo Olhar

A Miss trabalha o universo dos concursos de beleza de forma realista e pé no chão. Em vez de glamourizar excessivamente esse ambiente, o filme mostra suas pressões, frustrações e o peso das expectativas sociais. Ao mesmo tempo, transforma esse cenário em palco para discutir questões ligadas à comunidade LGBTQIA+, ampliando o debate sobre pertencimento.

A escolha de ambientar a narrativa nesse universo funciona como metáfora: a busca pela coroa representa também a busca por reconhecimento e validação. E é justamente aí que o filme encontra sua força emocional.

Expectativas Familiares e Pertencimento em A Miss

Daniel Porto conduz com sensibilidade a questão do pertencimento e de como as frustrações e expectativas dos pais podem ser projetadas nos filhos. Esse conflito é o coração dramático de A Miss.

Helda Nemetik entrega uma interpretação intensa como Iêda, uma mãe que sonha em ver a filha Martha (Maitê Padilha) conquistando o título de miss. Há nos olhos da personagem uma mistura de ambição, frustração e amor mal direcionado. Ela não é retratada como vilã, mas como alguém que também carrega suas próprias inseguranças.

O grande conflito surge quando percebemos que o verdadeiro talento está em Alan. Essa inversão de expectativas é tratada com delicadeza, mas também com firmeza, sem suavizar o impacto emocional da situação.

Pedro David é o Coração de A Miss

Pedro David entrega uma interpretação sincera e emocionalmente transparente como Alan. Mesmo que a narrativa, em alguns momentos, siga caminhos previsíveis dentro do cinema LGBTQIA+, sua atuação mantém a autenticidade da história.

Alan não é apenas um símbolo; ele é um jovem tentando encontrar seu lugar no mundo e dentro da própria família. Sua jornada é construída com vulnerabilidade e coragem, permitindo que o público se conecte genuinamente com seus conflitos.

No fim, A Miss é um filme importante. Pode não reinventar completamente o gênero, mas cumpre seu papel ao levantar discussões atuais sobre identidade, aceitação e amor familiar.

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