Filme é a homenagem perfeita aos seus antecessores
Saber que haveria um reboot-continuação de um clássico dos anos oitenta foi particularmente uma grata surpresa. Esse que vos fala foi muito marcado pela trilogia de filmes, tendo sido muito alugado na época das locadoras de filmes. Trilogia esta que nunca perdia a graça.
Corra que a Polícia Vem Aí!, Corra que a Polícia Vem Aí 2½ e Corra que a Polícia Vem Aí 33⅓ eram continuações da série Esquadrão de Polícia e foram o auge do cinema de paródia besteirol na era de ouro do gênero, marcando para sempre Leslie Nielsen como o maior nome dos filmes de comédia de todos os tempos, o que fez com que fizesse papéis semelhantes ao longo de todo o resto de sua carreira.
À princípio, a comédia pastelona de paródia pode parecer simples de fazer: faça referências a obras originais utilizando-se de todo o poder de comédia delas. Mas não é tão simples, vide filmes como Deu a Louca em Hollywood, Espartalhões e Os Vampiros Que Se Mordam, cujo humor é apenas bobo e nem de longe tão engraçado como os projetos feitos por David Zucker ou os Irmãos Wayans (estes que deram um novo gás ao gênero, sendo o grande nome deste tipo de filme em Todo Mundo Em Pânico 1 e 2 e que à partir do 3 foram substituídos por David Zucker na parte criativa da saga).
É preciso um tato cômico afiado para se fazer bons filmes de comédia, principalmente do tipo de piadas rápidas e incessantes e que a falta de lógica em cena faz parte das piadas. E pode-se dizer que isso foi muito bem trabalhado pelo diretor e pelos roteiristas, que repetiram a parceria feita no engraçadíssimo (embora mais infantil) Tico e Teco – Defensores da Lei. E vemos até mesmo a mão do mesmo produtor de Ted 1 e 2, que são filmes muito bons.
Em certa cena o protagonista Tenente Frank Drebin Jr diz para o retrato do pai que quer ser como ele, porém original. Leslie Nielsen tinha a habilidade única de fazer humor sem perder a seriedade. Liam Neeson (nomes parecidos, proposital?) consegue fazer o mesmo, porém atua mais para o lado pastelão do que seu antecessor. E é interessante como além dos nomes parecidos, ambos atores protagonistas vem de carreiras de filmes sérios e dramáticos.
As piadas com a falta de lógica estão aqui e o novo Corra Que a Polícia Vem Aí brinca ainda mais com o errático senso de literalidade de seu protagonista. A trama é a clássica de um filme policial: um policial veterano sem família investiga um assassinato que envolve uma femme falate, aqui sendo a veterana Pamela Anderson, sex simbol de décadas atrás e que mostrou grande talento para a comédia em Todo Mundo em Pânico 3 – embora sua participação tenha sido breve.
À partir daí o mérito ou a falta dele no filme depende da qualidade das várias piadas que circulam a premissa. E Corra Que a Polícia Vem Aí vai muito bem, obrigado. Talvez as piadas não sejam tão engraçadas como nos filmes originais se você assistir mais de uma vez – o que acontece bem menos com as produções anteriores – mas isso é totalmente natural. Além de provavelmente ser menos agradável do que outros filmes do tipo, que sempre tem uma fotografia leve.
Embora trabalhe a nostalgia, consegue caminhar com as próprias pernas e ainda segue a estrutura dos três anteriores, com a investigação sempre levando a algum evento importante e midiático e se desenrolando nele com muito humor de constrangimento meio a lá The Office. E mostra-se que os produtores fizeram o dever de casa, com piadas que remetem às antigas e até mesmo à série original. E as participações especiais são a cereja do bolo.
O filme marca o retorno do filme de comédia besteirol pastelão de paródia do qual nós – eu – sentíamos tanta falta e espero que mais filmes deste tipo surjam. E, se o novo Todo Mundo em Pânico novamente nas mãos dos irmãos Wayans conseguir sucesso, talvez vejamos mais filmes deste tipo nos próximos anos. Sejam bem-vindos de volta à casa!
