Como eu queria gostar de “Velhos Bandidos”. Um elenco de peso, e possivelmente o último filme da nossa deusa Fernanda Montenegro. Eu me esforcei, mas não tive grandes resultados. Não é um desastre, é apenas fraco.
É impossível não pensar em “desperdício”. A ideia tinha potencial para ir além, para funcionar quase como uma homenagem à velha guarda. Mas isso nunca se concretiza. Quando nomes como Tony Tornado e Vera Fischer entram em cena, o filme me faz acreditar que vão para esse lado, só para logo em seguida não saber o que fazer com eles.
O problema central é a indecisão. O filme oscila entre o assalto ao banco e a paródia, sem assumir nenhum dos dois. Falta direção. Falta entendimento do gênero. O resultado é uma comédia com estética televisiva, que até arranca algumas risadas, muito mais pelo carisma do elenco do que por mérito do texto. Dá a sensação de um projeto de férias para a equipe.
O verdadeiro antagonista aqui é o roteiro. Ele ensaia pontos de virada, sugere caminhos interessantes, mas não sustenta nenhum. Sempre que se aproxima de algo mais ousado, recua para soluções previsíveis, como se tivesse medo de se comprometer. Isso se reflete diretamente no final, frouxo, apressado e sem impacto. No meio desse desequilíbrio, o único fio dramático que realmente se destaca é o do personagem de Lázaro Ramos. Mas até isso é mal aproveitado, pouco tempo de tela, desenvolvimento quebrado, emoção diluída.
No fim, Velhos Bandidos não falha por falta de talento. Falha por não honrar ele. Repete vários erros amadores.
Nota: 3/10
