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Filme é a prova de que produções podem lograr êxito no que se propõe, mesmo envolto em simplicidade

Iron Lung é uma produção norte-americana de si-fi e suspense/horror escrito, dirigido e protagonizado por Mark Fischbach, um dos maiores youtubers gamers de toda a plataforma. E é baseado no game homônimo de David Szymansk. E, sinceramente, nunca tinha ouvido falar do game ou mesmo do próprio Mark, mas devo dizer que a produção em si foi uma baita surpresa.

No plot temos Simon, um condenado de um futuro pós-apocalíptico em que a Terra está colonizando outros planetas, mas após um evento misterioso chamado Arrebatamento Silencioso, todas as estrelas e planetas do universo desaparecem e Simon deve explorar um oceano de sangue de um misterioso planeta em busca de pistas para entender o mistério do Arrebatamento ou conseguir alguma amostra que permita à raça humana continuar existindo – em troca, claro, de sua possível liberdade. 

O filme se passa inteiro dentro do submarino mergulhado no oceano de sangue. Logo de início somos apresentados de forma muito natural às regras do jogo – ou às possibilidades de ação iniciais do protagonista. Sendo estas o meio com o qual ele se comunica com a superfície, como o submarino se move, como ele tira imagens de raio-x do lado de fora do submarino e como ele poderá ser puxado de volta. 
A claustrofobia de estar num aparelho que mistura tecnologia avançada com mecânica antiquada num oceano de sangue é bem sucedida. Compartilhamos, previsivelmente, a angústia do protagonista e a vontade/expectativa de sair dali à salvo. 

Conforme a trama avança, quase sempre de forma direta, a direção mostra muita calma ao preservar os silêncios enquanto as ações do protagonista falam por si e tentamos interpretá-las. Por mais que o roteiro decida ser prático, a história se desenvolve dentro do submarino, onde cada palavra ou ação pode estar dando uma peça do quebra-cabeças entre passado, presente e futuro, mesmo que esta peça muitas vezes pareça mais dificultar em montar o quebra-cabeças do que ajudar.

Conforme o tempo passa e a urgência aumenta, as teorias vão se criando dentro da cabeça do espectador enquanto ele faz perguntas sobre todo o contexto da história. Ou até mesmo, muitas vezes, se aquilo que estamos testemunhando é real ou imaginação involuntária ou plantada. 

Para aqueles que gostam de experiências fáceis e finais totalmente conclusivos, pode ficar realmente decepcionado com Iron Lung, mas não se pode chamar a produção de desonesta, já que a intenção do filme é compartilhar a experiência intimista e claustrofóbica de um personagem e não contextualizar o que se está assistindo de como aquela situação aconteceu. As dúvidas, os questionamentos, as teorias, tudo isso faz parte da proposta. Afinal, não se questiona uma montanha-russa por ela não ter levado a lugar nenhum, mas sim se fica grato – ou não – pela experiência de ter passeado nela. 

Deve-se destacar muito a atuação realista e cirúrgica de Mark Fischbach, além de sua direção prática que pouco chama atenção para si mesma. E seu roteiro imprevisível que brinca com uma situação simples de ligar o ponto A, ao ponto B enquanto não deixa de abordar a importância desta situação por mais simples que seja e vai aos poucos mergulhando no caos e no absurdo. 

Após assistir ao filme decidi pesquisar sobre o jogo e só posso destacar ainda mais a genialidade de Mark pois em um jogo realmente simples ele conseguiu exprimir numa produção cinematográfica todas as suas possibilidades. Que venham mais filmes de Mark já que, por mais tímido que tenha sido o lançamento desta produção, ela já se configura nos raros casos de excelentes filmes baseados em jogos. E mais ainda: é um filme que conseguiu melhorar e expandir o seu game original. 

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