Pimenta Nerd

A sua dose certa de Nerdice

Luís de Camões demanda o leitor apaixonado e apaixonado pela poesia

A poesia de Luís de Camões traz o fogo gerado pela vivência do amor. Ela articula sobre um lançar-se totalmente à experiência de amar. O amor é elaborado como um experimentar de sensações, dentre elas, o sofrimento (contradição). Essas contradições que o autor explora, muito mais se complementam do que se anulam. Tais antíteses ainda conseguem reafirmar que, para ele, não existe uma única verdade, e sim, verdades. São ideias que se mesclam quando se vive o amor. A dor e o ardor, assim como outras sensações, podem surgir, e surgem, nesse experimento, nessa busca. Cria-se uma tensão de sentimentos que não irá se resolver, porque eles são múltiplos, são dialéticos.

O renomado poeta da língua portuguesa traz um amor que se apega ao desejo carnal e não somente ao espiritual, se opondo à teoria neoplatônica, que traz o amor apenas no plano espiritual, excluindo sua fisicalidade. Em Camões, eles se unem, se equilibram, se confluem. Experimentar o desejo, carecer dele e unir corpo e espírito, configurando um amor misto, é o que se explora em grande parte de seus sonetos. O saber é intrínseco ao sabor (viver o desejo). O amor é visto como uma vivência múltipla e, consequentemente, plural do conhecimento. Paixão, amor e desejo são indissociáveis, se equivalem. A busca pelo prazer é incessante, levando a um contentamento descontente. Se entende mais quando se vive mais. Nesse sentido, quanto mais experiente no amor for o leitor do soneto, mais ele compreenderá as palavras que constroem o escrito, mais ele sentirá e entenderá o sentido pelo poeta que colocou suas experiências em poesia. Compreenderá a confluência entre alto e baixo, erótico e espírito, não se apegando apenas à verdade de Deus, ou ainda, idealizando absurdamente o feminino (teoria neoplatônica).

Ademais, o poeta vai confundindo amor e poesia, convidando para o amor, para o experimento do amor puro e vivo. Quebrando a tradição, ele fornece a ideia do apetite unido à experiência e razão. É um nunca cansar de sentir, viver e conhecer. Ele necessita de viver o amor, de sentir as suas verdades e facetas diversas. Ele busca constantemente a satisfação breve, que passa. Essa procura por viver o que não se tem em um manual e tão pouco se sabe, que se aprende sentindo, é o projeto de vida do português.

Portanto, uma nova forma de amar é introduzida por Luís de Camões, tornando-se atemporal: o amor como uma constante experiência. Tudo agora se condensa pelo amor. Amar, se apaixonar e desejar, é o que mais importa. O amor experimentado se coloca como alimento do viver. O ardor não se sacia, carece e deverá carecer. A chama precisa frequentemente ser acesa.

Link da imagem: https://ce.olx.com.br/fortaleza-e-regiao/livros-e-revistas/sonetos-de-luis-de-camoes-edicao-martin-claret-1419399407

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *