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Você conhece a Teogonia: a origem dos deuses, de Hesíodo?

É impossível iniciar um cantar desses poemas e seguir um rumo coerente, que arrebata o receptor, sem a luz e a motivação das Musas, segundo o pensamento mítico. O início de uma condução poética necessita da presença das Musas para ecoar o passado e, até mesmo, o presente e o futuro. Na tradição épica, tais entidades possuem a graciosidade de fascinar toda a expressão de um canto artístico ecoado com o auxílio e permissão delas. Sem elas, não há inspiração. Nessa mitologia grega, elas são representadas por moças que cantam e dançam. É suplicado a elas que deem um canto e elas o oferecem para Zeus Pai, genitor delas, no Olimpo. E é assim que se dá a abertura desse grandioso clássico que conta o surgimento do universo e a linhagem dos deuses.

Essas figuras capazes de transmitir inspiração, possuidoras de nomes que personificam segmentos ligados ao sentir, nasceram de Zeus e deusa Memória (Mnemosýne, filha da Terra e do Céu). Cada uma das nove filhas, copuladas durante nove noites, tem uma atividade que se conecta com a arte. Todas residem no monte Hélicon. Cronida (Zeus) tem em Glória, Alegria, Festa, Dançarina, Alegra-coro, Amorosa, Hinária, Celeste e Belavoz, a conjugação de autoridade divina e expressiva – essa última qualidade, proveniente da figura maternal. Dessa forma, a elucidação de uma história é feita pelas camadas de sedução das deusas Musas (remetem a abundância divina de suas genealogias).  

Nenhum ouvido duvidava do que ouvia, já que seres celestiais, que tudo sabem, transmitiam as mensagens. Nessa perspectiva, o saber delas organiza o mundo, dando margem para o impacto de reflexões críticas e aprendizados. É a partir da força do canto que conta, fazendo dos fatos, presente, que os humanos conseguem transcender.

A ordem do mundo é uma manifestação de Zeus. Ele concentra poderes que acabam por denotar uma totalidade. Com as forças da natureza e variados valores, ele se faz invencível, ao longo do tempo. Ele e seu relâmpago/raio, lançado, tantas vezes, de sua mão, dominam tudo, assegurando a justiça. As histórias de Crono e Céu configuram imagens que descrevem tal poder de Zeus. Ele nasce da linhagem do Céu, em Creta. Seus genitores são Crono e Reia – que ajudou a salvá-lo. Quando mais velho, ele vence o pai, que até então, era a divindade com mais poderio, que dominava o mundo. Diante disso, uma série de combates se inicia para organizar o mundo. Consequentemente, ele se torna o senhor do Céu, o maior, o grande espírito, rei dos deuses e dos homens, a divindade mitológica grega que tudo supervisiona e estabelece ordem.

Somente a soberania do específico filho de Crono permite a criação de uma ordem cósmica estável e definitiva, porque total espírito se centra nele e somente nele. Sua essência o glorifica. Se o mundo não for ordenado por ele, não pode ser por outro, não está e não estará em ordem, pois somente com ele no trono, tudo se encaixa em seu devido lugar. Ele totaliza como nenhum outro antecessor foi capaz de o fazer. Sem ele, a delimitação da ordem não entra em jogo. Mas com ele reinando, tudo se equilibra, se alinha. Mesmo tendo sido tentado em cruéis batalhas, vencê-lo não foi possível. Pelo contrário, cada vez mais, ele se mostrava forte e organizador de um todo.

E aí, ficou com vontade de conhecer esse clássico?

Espero que sim!

Confira:

Link da imagem: https://www.martinsfontespaulista.com.br/teogonia-a-origem-dos-deuses-113090/p?srsltid=AfmBOopbsG3PVm1xRFgiCAzPXbz-cPO6B_YmmnB7RIELbguLvtE6iArf

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