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Após uma jornada em festivais durante o ano, chega aos cinemas nesta semana o ganhador do Urso de Prata no festival de Berlim, O Último Azul, uma odisseia sobre amadurecimento onde muitas vezes nós queremos não exatamente o que precisamos.

Na trama, para maximizar a produtividade econômica, o governo ordena que os idosos se mudem para colônias habitacionais distantes. Tereza, 77, se recusa – em vez disso, embarca em uma jornada pela Amazônia que mudará seu destino para sempre.

O Último Azul nos atiça ao não mostrar o óbvio, a jornada que vivemos ao lado de Tereza (Denise Weinberg) que tem o sonho de voar de avião. O longa utiliza muito bem a  metáfora, ela quer ser livre.

Mundo apresentado aqui é uma distopia onde os idosos vão para colônia após completarem uma determinada idade, Há um perigo constante, com elementos como o “catavelho”, um carro onde colocam idosos na parte de trás com camburão de carro de polícia, a presença de guardas e até a filha da protagonista, que tem a guarda dela. O filme, mesmo tendo baixo orçamento, sabe bem utilizar aquele microambiente do rio Amazonas de forma viva e estranhamente bela.

O Último Azul / Foto: Vitrine Filmes

A direção de Gabriel Mascaro faz um competente trabalho, tem de mostrar em pequenos detalhes qual aquela realidade pode ser benéfica para alguns e maléfica para outros. Há uma situação em que o personagem de Cadu (Rodrigo Santoro) diz que sua mãe quer ir a tal colônia mesmo não tendo a idade para ir, isso colocando um bom contraponto à visão da protagonista.

Seu ritmo é lento, a contemplação traz um efeito mesmo sendo curto, com 1h 25 min. o filme parece arrastado principalmente quando chega ao terceiro ato, onde o ritmo  toma uma cadenciada para mostrar a relação de uma amizade entre Tereza e Roberta (Mirian Socarras), onde elas descobrem que a liberdade vai além do que era imaginado.

Fantasia aqui muito bem encaixada, o seguimento do caracol da baba azul, cujo líquido nos olhos permite ver o futuro. A sequência final, onde dois peixes brigam entre si, quase uma luta entre bem e mal, dá sensação de angústia, faz torcer para que tudo dê certo nessa situação porque Tereza aposta tudo, seu dinheiro.

As atuações de todo o elenco são sólidas, mas o destaque é Tereza (Denise Weinberg), o tom da sua  na situação frágil em que ela se encontra, inocente em alguns momentos, mas, ao mesmo tempo, ser forte. Cadu (Rodrigo Santoro), mesmo com pouco tempo de tela, traz algo misterioso e vulnerável à sua presença  que seu e deixa marca na trama. Até no momento em que sai de cena, faz o se questionar sobre o que aconteceu como ele. 

A produção é uma aventura que, em momentos, faz boas reflexões, mas a momentos em que seu ritmo é colocado de lado. Toda a junção desse tema do eterismo faz o Último Azul ser importante no tempo que vivemos, sendo uma denúncia de que não podemos deixar o passado (Idosos) de lado, mas sim conviver com eles em conjunto.

O Último Azul estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira 28 de agosto.

NOTA: 7/10

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