“Faça Ela Voltar” usa um certo realismo que sustenta as cenas gráficas, fazendo com que a brutalidade tenha peso narrativo e não seja apenas estética. Os irmãos Philippou funcionam melhor quando se entregam à violência explícita, que de alguma forma sustenta algumas cenas. É nesse território que eles demonstram mais confiança.
O filme acompanha a história de Sarah, uma mulher que retorna à cidade natal após a morte misteriosa de sua irmã, tentando desvendar segredos familiares enquanto enfrenta traumas do passado.
Uma curiosidade interessante é que os irmãos Philippou se inspiraram em experiências pessoais de perda e isolamento para construir a atmosfera opressiva do filme, e boa parte das cenas de violência foram planejadas de modo a parecerem reais, sem recorrer a efeitos exagerados ou digitais.
O problema é que, quando o filme se reduz a esse jogo de estímulos, não vai além. Existe, sim, uma tentativa de puxar o horror de sentimentos mais íntimos, mas essa exploração é interrompida. O drama, por sua vez, se alonga sem muito frescor, e o filme acaba escolhendo atalhos em vez de mergulhar de verdade nos dilemas. Ainda assim, achei mais instigante que Fale Comigo. Este me pareceu mais corajoso em lidar com os temas.
NOTA: 6/10
