Filme anda na contramão do próprio marketing e mostra uma produção que sabe trabalhar o próprio potencial
A Disney cuidou para que a campanha de marketing de Quarteto Fantástico tentasse arruinar a bilheteria do próprio filme, com alegações de que o filme seria woke e tudo o mais. E quantos filmes assumidamente woke foram sucesso de bilheteria?
Somado isso ao fracasso de muitas produções da Disney/Marvel e ainda sob a áurea de Coração de Ferro, esse novo filme do Quarteto Fantástico tinha todos os elementos para ser mais um fracasso.
Mas, ainda bem, o filme é muito bom! Ele não é mais uma história de origem. Apenas apresenta brevemente quem são os protagonistas para então nos ambientar em suas personalidades, interações e no ambiente retrofuturista de outra dimensão.
E falando da ambientação espacial e estética, ela veio muito a calhar, sendo uma homenagem muito bem feita ao visual clássico dos quadrinhos e animações antigas – nesta última sendo bem direta – sem cair na galhofa, por mais que a galhofa em si já não seja mais um problema nos filmes de heróis atuais, e é até bem visto. Mas foi interessante eles usarem isso em favor da própria possibilidade criativa.
Cientes de toda a capacidade de invencionice nesta dimensão, é muito gratificante ver o filme caindo em sua própria capacidade fantasiosa logo após a chegada da Surfista Prateada. O filme mergulha de cabeça na ficção científica e não se abstém de ser totalmente quadrinhesco ao trazer Galactus que é uma ameaça gigantesca.
E a produção se selva de ser rasa ao girar em torno dos conceitos basilares da família, quando o nascimento do filho de Reed e Sue Richards vira o ponto principal da problemática. E a proteção da Terra e do bebê gera um conflito que brinca com a lógica e os princípios. É um desafio à altura daqueles heróis que não medirão esforços para fazer o que é certo. E este ponto do puro heroísmo é o que faz este ser um dos filmes de maior coração na história do MCU.
O elenco principal está muito bem no papel e exprimem uma naturalidade ímpar, ajudada por um roteiro de diálogos muito funcionais. E é um prazer ver que a inteligência de Reed Richards não é apenas mencionada ou demonstrada, ela é utilizada como forma ímpar nos desafios do filme. Conseguimos ver o seu poder de análise de fato fazendo a diferença.
Apenas acho que o Coisa deveria ser maior já que nos quadrinhos ele rivaliza com o Hulk em sua forma mais poderosamente convencional. Um ponto mal explorado é o povo que vive no subterrâneo que, já que tem uma função importante no terceiro ato, deveriam ser trabalhados mais profundamente.
No fim, o filme não tem nada de Woke e talvez a estratégia de marketing fosse apenas uma forçada de barra de uma interpretação do filme que mal chega à superfície, o que preocupa muito a Disney.
Quarteto Fantástico – Primeiros Passos, é um filme à altura da importância da obra em que se baseia e explora todas as capacidades fantásticas a seu dispor e ainda emociona ao unir o poder dos super-herois ao da família, sacrifício e amor.
