No último dia 31 de julho, estreou no Teatro Santander o espetáculo Dreamgirls, um musical que promete quebrar paradigmas. Mas será que cumpre essa promessa?
Sinopse: Effie White, Deena Jones e Lorrell Robinson formam as Dreamettes, um grupo musical em ascensão nos anos 60. Elas começam a fazer sucesso graças ao manipulador empresário Curtis Taylor Jr., que transforma o trio nas Dreams, substituindo Effie por Deena como vocalista principal — uma decisão que expõe seus interesses pessoais e abala as relações dentro do grupo.

A experiência de assistir Dreamgirls pode ser resumida em uma cena: quando as Dreams entram pela primeira vez no palco e cantam “Move”. A construção dessa sequência é arrebatadora, com direção e coreografia que te colocam dentro daquele universo.
A sintonia entre Gustavo Barchilon (direção), Rafa L (coreografia) e a maestria musical de Guilherme Leal é impecável. Desde a abertura, você torce pelas personagens, vibra com cada conquista e se envolve emocionalmente com a jornada delas.
O trio principal
Na minha sessão, o elenco foi formado por Laura Castro (Deena Jones), Samantha Schmutz (Lorrell Robinson) e Suzanna Santana (substituindo Letícia Soares como Effie). A química entre elas é instantânea, parecendo que cantam juntas há anos.
Laura Castro entrega uma Deena autêntica, cheia de camadas, que vai além da imagem da “traíra do grupo”. Sua dinâmica com as outras Dreams é impecável, e suas interações com Toni Garrido (Curtis) são puro ouro.
Falando em Toni Garrido, sua atuação é poderosa — não apenas no vocal, mas na presença cênica. Ele encarna Curtis como um verdadeiro mestre das marionetes, controlando tudo e todos.
E então chegamos a Effie, a personagem mais icônica do musical. Suzanna Santana impressiona: mesmo substituindo, entrega uma Effie segura, vulnerável e cheia de emoções conflitantes. Seus solos são arrebatadores, e sua relação com C.C. White (Abrahão Costa) é um dos pontos mais emocionantes da peça.
Destaques cômicos e atuações marcantes
Samantha Schmutz e Reynaldo Machado garantem momentos de leveza e humor, com cenas hilárias e uma química vocal surpreendente. Reynaldo, inclusive, protagoniza a cena mais engraçada da peça.
Outro destaque é Eduardo Silva (Marty), que mesmo com pouco tempo em cena, deixa uma marca forte, trazendo experiência e imponência.
Dreamgirls é mais do que um musical
Dreamgirls é ancestral, poderoso e necessário. É uma história que atravessa gerações e fala sobre resistência, identidade e sonhos. É impossível sair do teatro sem se sentir tocado, especialmente se você for uma pessoa negra — mas, para qualquer público, a mensagem é clara: quanto mais a cultura negra tem espaço, mais ela floresce e se fortalece.
