Pimenta Nerd

A sua dose certa de Nerdice

Existem sensações que marcam. Uma das coisas que eu sempre falo para os meus amigos é que teatro é experiência, momento e identificação. E Dreamgirls é tudo isso — é cultura negra em estado bruto, é a força de uma história que pulsa no palco com a mesma intensidade que um filme de Ryan Coogler.

Quando Laura Castro, Letícia Soares e Samantha Schmütz pisaram no palco e cantaram Dreamgirls na coletiva de imprensa, meus olhos marejaram. Foi ali, naquele instante, que percebi: essa peça carrega um peso ancestral, uma energia transformadora. Três mulheres negras dominando o palco com presença avassaladora. A gente não vê isso todo dia — e precisa ver mais.

Uma peça histórica que atravessa gerações

Dreamgirls é uma das peças mais importantes da Broadway. Estreou em 1981 e rapidamente se tornou um fenômeno. Vencedora de quatro prêmios Tony, incluindo Melhor Atriz (Jennifer Holliday) e Melhor Ator Coadjuvante (Cleavant Derricks), além de prêmios por roteiro, luz e coreografia, a montagem original deixou um legado.

Em 2006, a peça ganhou uma adaptação cinematográfica estrelada por Jennifer Hudson, Beyoncé e Anika Noni Rose. E foi nesse filme que Jennifer Hudson eternizou Effie White, ganhando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante — tornando a personagem uma das únicas da história a vencer um Tony e um Oscar.

Uma nova era começa no Brasil

Agora, Dreamgirls chega ao Brasil para ocupar o Teatro Santander de uma forma arrebatadora. E a nossa Effie White brasileira, Letícia Soares, não quer imitar ninguém. A promessa é uma versão única, intensa e emocionalmente crua da personagem. Letícia vai te derrubar com a força da sua voz, mas também vai te reconstruir com a entrega no palco.

Laura Castro, no papel de Deena Jones, entrega tudo em sua versão de Listen — aqui um dueto com Letícia. A personagem cresce ao longo da peça e Laura capta essa evolução com beleza, mostrando a transição da ingenuidade para a força e independência. Como fã da Beyoncé, Laura traz referências, mas cria sua própria Deena — doce, poderosa, autêntica.

Um elenco que transforma o palco em revolução

Dreamgirls é potência. E mais do que isso: é ocupação. Ver um palco tão importante sendo dominado por um elenco negro, em um teatro frequentemente elitista, é histórico. O veterano Eduardo Silva, primeiro ator negro a vencer o Prêmio Shell em 1994 e aqui no papel de Marty, emocionou a todos ao dizer:

“É lindo ver tantas pessoas negras aqui. É meu terceiro trabalho com um elenco totalmente negro, e isso é muito emocionante. Ainda espero o dia em que teremos elencos diversos igualmente, e que possamos contar mais histórias negras — que não sejam apenas de luta.”

Quando assistir?

Dreamgirls está em cartaz no Teatro Santander, de quinta a domingo, de 31 de julho até novembro. É o tipo de espetáculo que não só conta uma história poderosa — ele muda o jogo. Porque teatro também pode ser revolução, e essa revolução está acontecendo agora.

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