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Crítica: Quarteto Fantástico: Primeiros Passos

A quarta tentativa de adaptar o Quarteto Fantástico para os cinemas prometia ser a virada definitiva da Primeira Família da Marvel. O filme parecia pronto para devolver ao grupo a grandiosidade que sempre mereceu. Mas o que chega às telas é uma produção que ainda engatinha, longe de encontrar firmeza nos primeiros passos.

A direção de Matt Shakman se contenta com pouco. Dá a impressão de que a única preocupação era criar uma identidade visual. E até consegue. A Nova York retrofuturista chama atenção, com designs criativos e cenários que remetem a clássicos da ficção científica. O problema é que a preguiça começa já no roteiro, recheado de lugares comuns. Usar fórmulas não é um erro em si — o problema é quando tudo parece feito no modo automático. A tão conhecida “fórmula Marvel” mostra claros sinais de desgaste. Justamente quando se esperava mais criatividade para revitalizar uma equipe historicamente mal tratada no cinema, o filme aposta em escolhas seguras. O resultado é um passatempo genérico, que tenta ser maior do que é, mas nunca decola de verdade.

O mais surpreendente é ver o próprio Quarteto Fantástico ficar em segundo plano. Os personagens quase não funcionam como grupo e, quando atuam juntos, falta sintonia e senso de unidade. Curiosamente, os momentos mais leves e até bobos, como as cenas de jantar em família, são os que melhor funcionam. Neles, a química aparece e dá pra acreditar que existe uma conexão ali. Já a relação entre o Senhor Fantástico (Pedro Pascal) e a Mulher Invisível (Vanessa Kirby) soa desconectada. Kirby consegue brilhar individualmente, mas Pascal entrega uma atuação apagada, distante, sem envolvimento emocional.

O roteiro até ensaia explorar traumas e conflitos pessoais, mas tudo permanece raso. Nenhuma dessas ideias avança. Fica tudo preso na superfície, sem levar os personagens a evoluírem de fato. E essa falta de profundidade não afeta só os heróis. A Surfista Prateada surge como uma figura enigmática e promissora, mas é rapidamente deixada de lado. Já Galactus impressiona no início, mas perde força no terceiro ato, diluído por uma narrativa sem impacto.

No fim das contas, o que mais frustra é a ausência de peso dramático. O filme não constrói tensão, não tem um clímax satisfatório, nem recompensa emocional. E, percebendo que não criou nada forte o bastante para sustentar o desfecho, o roteiro apela para o recurso mais batido possível: um bebê como chave emocional do final. Em vez de emocionar, o artifício só escancara a falta de ambição e profundidade.

É desanimador. O primeiro ato — e parte do segundo — empolgam, tudo parece mais alinhado, com um tom mais promissor. A simplicidade até funcionava melhor ali.  A sensação final é a de que ninguém envolvido soube, de fato, por que essa história precisava ser contada.

NOTA: 5/10

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