Você já viu esse filme, só que melhor
Um filme não deve ter ideias totalmente originais para ser bem aproveitado. Às vezes é possível se divertir e extrair outras coisas boas até de filmes decididamente ruins. Ou simplesmente ter duas horas de distração barata. E Duquesa Vingadora se encaixa muito neste último perfil.
Na trama, Scarlett Monaghan (Charlotte Kirk) é uma batedora de carteira de boate que se apaixona por um contrabandista de joias. E sem demora ela é sugada para um estilo de vida perigoso e imprevisível. Uma trama como esta pede romance, ação, talvez uma pitada de comédia? A Duquesa Vingadora tem tudo isso e tudo mal feito.
Tudo que envolve a protagonista é porcamente embasado e nem mesmo a suspenção da descrença consegue justificar. No filme vemos Scarlett batendo em homens maiores, mais fortes e com possivelmente bem mais treinamento e certamente mais experiência do que ela. E como ela consegue fazer isso? Ela simplesmente treina boxe. E quando a vemos treinando nem ao menos parece convincente o suficiente que ela consiga lutar decentemente com qualquer pessoa minimamente consciente de sua própria composição corporal.
Mas a trama pede para que você embarque nela de paraquedas, com trilha sonora agitada, saltos no tempo e apresentações estilizadas de personagens inúteis. Porém, infelizmente, ela não te fornece o paraquedas. Fica mais do que claro que esse filme bebe da fonte de Tarantino, com uma Femme fatale a lá Kill Bill só que numa trama mais pé no chão, mas com tantas coisas sem sentido quanto. Mas sem o mesmo charme, sem a mesma inteligência, competência ou esforço.
Além, é claro, do esforço exageradíssimo de Charlotte Kirk para convencer no papel. E em certos momentos até consegue, mas o modo como cai em overacting chega a fazer parecer que ela está em alguma novela mexicana reprisada no SBT ou algum filme indiano de baixa qualidade. Ela suga a atenção negativamente para si e seu buraco negro interpretativo até mesmo apaga o brilho natural do resto do elenco, principalmente quanto a seu par romântico interpretado por Philip Winchester.
Se o filme tinha algum potencial além de uma premissa básica que abre um leque grande de possibilidades, talvez estivesse na espécie de mundo paralelo do crime organizado ali apresentado que parece ter até mesmo uma certa estrutura a lá o universo de John Wick, mas acaba sendo apenas uma forma do filme tentar apresentar algo mais interessante do que apenas um casal ruim de ação.
Como pode ser notado ao ler esta crítica, o filme é fraco em tudo que se propõe a fazer. Não chega a ser um desastre pois a direção de Neil Marshal consegue ser bem funcional e o roteiro, por mais que pareça um rascunho de um projeto futuro, ameaça, no meio do segundo ato, levar a algo interessante e talvez amarrar as ponta soltas que abriu. Mas logo pisa no próprio pé e perde a chance de justificar a si mesmo.
Clichê, desprovido de justificativa e preguiçoso, A Duquesa Vingadora é apenas um filme fraco cujos defeitos podem incomodar mais alguns do que a outros e é facilmente esquecível. Não é odioso, mas é esquecível e demasiado amador e presunçoso.
